REVISTA PORTUGUESA DE

MEDICINA
INTENSIVA

ANO 6 * NÚMERO 7/8 * JUNHO DE 1997

Director: Fernando Rua
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Assinatura anual: 2000$00
Número avulso: 1500$00
ISSN - 0872 - 3087
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Ventilação Não Invasiva na Insuficiência Respiratória Aguda após extubação

Teresa Honrado, J. Chaves Caminha, Álvaro M. Silva, Sofia Esperança, A. Paes Cardoso, Fernando Rua

Resumo:
A Ventilação Não Invasiva (VNI) tem sido referida em algumas publicações como um método ventilatório eficaz na evicção da reentubação traqueal nos doentes com Insuficiência respiratória Aguda (IRA) desenvolvida imediatamente após extubação.
Aplicamos VNI num grupo de 20 doentes com diferentes diagnósticos, que após desmame da ventilação mecânica e extubação, desenvolveram IRA, apresentando critérios de reentubação. A VNI foi administrada com máscara nasal conectada ao ventilador BiPAP Respironics Inc.
Em 12 doentes foi evitada a reentubação traqueal - taxa de sucessos 60%. Nestes, o tempo de internamento foi significativamente menor, quando comparado com o do grupo dos insucessos (8 doentes) em que foi necessária a reentubação traqueal. Não encontrámos diferenças significativas no diagnóstico dos 2 grupos de doentes. Da análise dos resultados verificamos, que os valores gasométricos antes de iniciar a VNI não serviram como índices predictivos do sucesso ou insucesso.
Concluimos que num grupo seleccionado de doentes, a VNI é eficaz na IRA após extubação, reduzindo o número de reentubações e o tempo de internamento em Cuidados Intensivos.
Palavras Chave: Ventilação Não Invasiva, Insuficiência Respiratória Aguda Após Extubação, BiPAP, Índices Predictivos.

Broncofibroscopia em Unidades de Cuidados Intensivos

A. Oliveira Meleiro, A. C. Duarte, P. Cravo, A. Mineiro, M. G. Freitas

Resumo:
Neste trabalho pretendemos determinar a importânica da broncofibroscopia (BF) e técnicas acessórias, na avaliação de doentes internados em Unidade de Cuidados Intensivos. Analisamos 463 exames realizados a doentes internados na Unidade de Urgência Médica - Uum do Hospital de S. José, no período de 1992 a 1995.
Baseados nas orientações da American Thoracic Society - ATS, agrupamos os exames de acordo com a intenção terapêutica/diagnóstica, que motivou a sua realização.
Os resultados obtidos confirmaram o interesse terapêutico e diagnóstico da BF e evidenciaram a segurança da técnica, praticamente isenta de riscos.
Palavras Chave: Broncofibroscopias em UCIs; Broncofibroscopias em doentes ventilados.

Biópsia Pulmonar transbrônquica durante a Ventilação mecânica

J. Chaves Caminha, Álvaro M. Silva, F. Rua

Resumo:
A necessidade de obter uma amostra de tecido pulmonar para exame histológico e microbiológico, para diagnosticar infiltrados pulmonares progressivos ou persistentes, em doentes submetidos a ventilação mecânica cuja condição clínica vinha a evoluir desfavoravelmente, levou-nos em casos seleccionados, à realização de biópsia pulmonar transbrônquica (BPT). Desde 1994 realizamos 4 BPT em doentes com estas características. A decisão de efectuar esta técnica foi tomada por ter sido considerado possível aumentar a rentabilidade diagnóstica da broncofibroscopia (BF) e do lavado broncoalveolar (LBA). A BPT foi diagnóstica em 3 doentes e em todos o seu contributo foi decisivo. Em um outro doente o diagnóstico foi obtido pelo LBA. A BPT originou um caso de pneumotorax hipertensivo, cuja resolução ocorreu em 48 horas. Não se verificaram fatalidades atribuíveis ao procedimento. Nestes doentes hemodinamicamente estáveis necessitando de ventilação mecânica, com patologia pulmonar difusa interessando o parênquima pulmonar, a BPT mostrou ser um procedimento relevante, contribuindo para aumentar significativamente a rentabilidade diagnóstica da BF e influenciando a terapêutica. Contudo não deve substituir o LBA.
Palavras Chave: Broncofibroscopia, Biópsia Pulmonar Transbrônquica, Lavado Broncoalveolar, Ventilação mecânica.

Nutrição na Insuficiência Renal

Anabela Rodrigues, Isabel Fonseca, Aníbal Marinho

Resumo:
Com a melhoria dos métodos de ressuscitação hemodinâmica e de suporte cardiorespiratório, verificou-se uma diminuição progressiva da incidência de insuficiência renal aguda (IRA) nas UCIs. No entanto a mortalidade a ela associada permanece elevada, apesar dos progressos obtidos quer na hemodiálise convencional quer nas novas técnicas de substituição renal contínua.
Sabe-se actualmente que a malnutrição calórico-proteica está associada a muitos dos factores que condicionam o aparecimento de uma insuficiência renal aguda , ou a uma redução aguda da função renal em doentes com insuficiência renal crónica.
Os autores procedem a uma revisão sobre a abordagem nutricional do doente com falência renal.
Palavras Chave:nutrição, insuficiência renal, albumina, hemodiálise, técnicas de substituição renal extra-corporal contínuas.

Técnicas Contínuas de Substituição Renal: Indicações e Prática

Rui Castro, João Pedro S. Pimentel, Aníbal Marinho, Manuela Sousa, Anselmo Madureira, António Paes Cardoso, Serafim Guimarães

Resumo: As técnicas contínuas de substituição renal (TCSR) constituem hoje um meio terapêutico comum nas Unidades de Cuidados Intensivos. As suas indicações têm vindo a ser alargadas, abrangendo não só situações de insuficiência renal aguda (IRA) com instabilidade hemodinâmica e depuração de toxinas, como também quadros clínicos de prognóstico reservado como a ARDS (Adult Respiratory Distress Syndrome) e a Falência Múltipla de Orgãos. Os meios disponíveis para a sua implementação são diversificados e de evolução contínua. De entre elas, a hemofiltração venovenosa contínua tem ganho vantagem de forma gradual e inexorável, constituindo actualmente a TCSR de maior utilização nas Unidades de Cuidados Intensivos. Esta preponderância advém fundamentalmente de permitir maior estabilidade do fluxo sanguíneo no circuito extra-corporal, proporcionando taxas elevadas de ultrafiltração, que segundo alguns autores poderão aumentar a sobrevivência de doentes em choque séptico. No entanto todas estas técnicas exigem vigilância contínua e preparação específica, em que o papel preponderante é seguramente desempenhado pela equipa de enfermagem.
Os objectivos a atingir com este trabalho passam pela apresentação e discussão das indicações e meios actuais das TCSR. De forma sumarizada apresentamos também as complicaçõe mais frequentes destas técnicas e as adaptações necessárias à prescrição farmacológica.
Palavras Chave: técnicas contínuas de substituição renal, hemofiltração venovenosa contínua, hemodiafiltração venovenosa contínua, hemofiltração arterio-venosa contínua, hemodiafiltração arterio-venosa contínua, insuficiência renal aguda, falência Múltipla de Orgãos.

A Internet e o Intensivista

Aníbal Marinho

Resumo:
Eis o futuro... As tecnologias de informação aproximam cada vez mais o mundo, e podem ser exploradas no conforto do lar, apenas com o custo de uma chamada telefónica local. Prepare-se…não há nada pior do que uma pessoa sentir-se ultrapassado, quando todos os outros falam sobre algo que não lhe diz absolutamente nada. A Internet tem causado este efeito ao longo dos últimos tempos; Está em tudo aquilo que nos rodeia; tudo está na Internet, tudo é "ciber-qualquer-coisa" . A Internet é um fenómeno do mundo dos computadores, com paralelo apenas na explosão de publicações sobre o assunto. Mas, a não ser que já tenha estado ligado à Internet, continuará às escuras.
(Texto integral)

Síndrome de perda cerebral de sal
A propósito de um caso clínico

Manuela Fera, Rosa Mendes, João Alcântara, Rui Sérgio, Resina Rodrigues

Resumo:
O aparecimento de hiponatrémia é frequentemente observado em doentes com lesões encefálicas, sendo esta normalmente atribuída à secreção inapropriada de hormona antidiurética. Estudos efectuados nos anos mais recentes mostram que a hiponatrémia em doentes com patologia intracraneana pode na realidade ser causada pelo síndrome de perda cerebral de sal, no qual a perda renal de sódio leva a hiponatrémia e deplecção de volume extracelular. O tratamento para a perda cerebral de sal, reposição de sal e água, é o oposto do tratamento usado habitualmente na hiponatrémia causada pela secreção inapropriada de hormona antidiurética.
Os autores fazem, a propósito de um caso clínico, uma revisão da literatura recentemente publicada sobre o síndrome de perda cerebral de sal.
Palavras Chave: Lesão neurológica, poliúria, natriurese, hiponatrémia, SIADH, CSW.

Uso de Vasodilatador em doente com Choque Séptico

Augusto Ribeiro, Dulce Rainho, Filipe Almeida, José Aparício, Teresa Cunha Mota, José Carvalho, Emídio Carreiro, L. Almeida Santos

Resumo:
O Choque séptico continua a ser uma situação clínica grave, com elevada taxa de mortalidade e morbilidade, apesar dos avanços verificados nos últimos anos, relacionados com o conhecimento da sua patogénese, fisiopatologia e novas modalidades terapêutica.

O uso de vasodilatadores pode estar indicado nas situações em que a perfusão tecidular se mantenha deficiente apesar da adequada expansão volémica e apropriado suporte vasopressor.
É apresentado o caso clínico de uma criança com leucemia linfoblástica aguda que desenvolveu choque séptico por Escherichia coli e em que foi usada nitroglicerina e perfusão contínua. A propósito, os autores expõem a sua experiência relativa ao uso de drogas vasoactivas, nomeadamente vasodilatadores, neste tipo de situações.
Palavras Chave: Choque séptico pediátrico, leucemia linfoblástica aguda, drogas vasoactivas, vasodilatadores.

Depressão Respiratória após perfusão de Tramadol

Teresa Fontinhas, Luísa Gonçalves, Alexandre Carrilho

Resumo:
Os autores apresentam um caso clínico de pancreatite aguda no qual ocorreu um quadro de Depressão Respiratória após perfusão contínua de Tramadol. Fazem uma revisão das possíveis causas, da terapêutica instituída bem como de outros casos semelhantes referidos na bibliografia internacional.
Palavras Chave: Tramadol; Perfusão contínua; Depressão respiratória.

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Data de criação: 2 de Julho de 1998
Última actualização: 23 de Maio de 2001

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