REVISTA PORTUGUESA DE

MEDICINA
INTENSIVA

ANO 5 * NÚMERO 6 * JUNHO DE 1996

Director: Fernando Rua
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ÍNDICE:
Edição:
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Tiragem: 2000 exemplares
Periodicidade semestral
Assinatura anual: 2000$00
Número avulso: 1500$00
ISSN - 0872 - 3087
Depósito legal: No. 62898/93
Registo RRC No. 386

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Entubação endotraqueal por broncofibroscopia

J. Chaves Caminha, Álvaro Moreira Silva, Fernando Rua

Sumário:
A entubação endotraqueal por broncofibroscopia (BF) constitui um avanço significativo na resolução das dificuldades de entubação traqueal, já que permite a visualização directa da laringe e das cordas vocais. Na literatura estão descritas as indicações: deve utilizar-se quando as estruturas laríngeas não são visualizáveis por laringoscopia, pelas mais variadas razões, ou quando se sabe ou prevê que a laringoscopia é difícil, impossível ou mesmo contra-indicada. É ainda aconselhado que quando é previsível uma entubação traqueal difícil, se utilize a BF logo de início, evitando múltiplas laringoscopias infrutíferas, devendo ser realizada por um endoscopista experiente.
Objectivo: avaliação da utilização da entubação endotraqueal por BF.
Desenho do estudo: estudo retrospectivo de todos os casos de entubação por BF durante um ano no Hospital Geral de Stº. António. Resultados: durante o ano de 1994, foram realizadas 19 entubações traqueais por BF, em cerca de 10 mil doentes que necessitaram de ser entubados. Não houve nenhum insucesso, nem foi registada qualquer complicação. Dos casos considerados 15 eram do sexo masculino e 4 do sexo feminino. Com médias de idades de 48 anos (máximo de 91 e mínimo de 20 anos). Em todos os casos foi possível a utilização da via nasal. O motivo mais frequente de entubação traqueal por BF foi o traumatismo vertebro-medular cervical suspeito ou confirmado (32% dos casos). Em 3 casos, a entubação traqueal por BF teve um carácter de urgência, face à dificuldade de entubação traqueal, em traumatizados graves do maciço facial em que a não utilização da técnica poderia Ter-se revelado fatal para o doente.
Conclusão: a BF é necessária e de extrema utilidade para alguns casos de entubação traqueal. É uma técnica eficaz e de baixo risco, pelo que deverá encontrar-se divulgada e disponível. De acordo com o descrito na literatura verificamos que habitualmente o número de entubações realizadas por BF é reduzido.
PALAVRAS-CHAVE: Broncofibroscopia, entubação endotraqueal.

Monitorização Continua da Saturação de Oxigénio na Veia Jugular Interna em Traumatizados crâneo-encefálicos

Paulo Martins, Armindo Rebelo, Jorge Pimentel

Sumário:
As lesões secundárias da hipóxia-isquémia são determinantes para o prognóstico dos traumatizados crânio-encefálicos. A monitorização hemodinâmica e do metabolismo cerebral, a partir da SjvO2 e da AVDO2 detecta precocemente as alterações da perfusão e do metabolismo, permitindo colocar em marcha as medidas tendentes à sua normalização. Realizamos a monitorização contínua da PIC e da SjvO2 em 10 doentes com TCE, com escala de coma de Glasgow de 4 e 5. Três doentes apresentavam episódios de dessaturação, com hipoperfusão e PIC elevadas, vindo dois deles a falecer mais tarde.
Realçamos o cuidado a Ter com a correcta posição do cateter, que ao mobilizar-se com frequência obriga a reposicionamentos sucessivos. Apesar das limitações encontradas, a SjvO2 pode permitir a detecção precoce dos fenómenos de hipoperfusão cerebral, orientando as manobras terapêuticas tendentes à sua correcção, contribuindo para alterar de forma marcante o prognóstico dos traumatizados crânio-encefálicos.
PALAVRAS-CHAVE: Traumatismo crânio-encefálico (TCE), Saturação oxigénio sangue venoso jugular (SjvO2), actividade metabólica cerebral (CMRO2), diferença arterio-jugular (AjDO2) de oxigénio.

Utilização dos Índices de Gravidade na comparação de duas Unidades de Cuidados Intensivos

Cristina Granja, João Pina, Fernando Abelha

Sumário:
Os autores utilizam o APACHE II e o TISS, colhidos ao longo de um ano, para comparar o funcionamento de duas Unidades de Cuidados Intensivos Polivalentes no Hospital de S. João. A mortalidade occorrida foi semelhante para as duas unidades e, embora superior à prevista pelo APACHE II, esta diferença não foi estatisticamente significativa. A produtividade, relativamente ao número de camas foi baixa, dewvida aos grandes tempos de permanência. O maior intervencionismo numa das unidades não se traduziu numa menor mortalidade mas sim num tempo de permanência mais baixo. O funcionamento das unidades foi muito influenciado pelas características das áreas adjacentes condicionando, sobretudo, o tipo mais frequente de doentes. Sobressai a discrepância entre o nível de cuidados avaliado pelo TISS médio, e o nível de cuidados previsto pelo número de enfermeiros. As razões para esta diferença estão, provavelmente, relacionadas com a falta de pessoal auxiliar especializado e com as condições menos boas existentes nas enfermarias, sobretudo ao fim-de-semana, e com a falta de camas de cuidados intermédios. Concluem chamando a atenção para a carga de trabalho que a colheita dos próprios Índices de Gravidade produz sendo necessário tirar o máximo proveito desta ferramenta.
PALAVRAS CHAVE: Cuidados Intensivos, Índices de Prognóstico, Gestão em Cuidados Intensivos.

Suporte hemodinâmico por balão intra-aórtico

Pedro Pinto Cardoso, Fernando Matias

Sumário:
O balão intra-aórtico tem sido utilizado como meio de suporte hemodinâmico em doentes com falência circulatória. Quase todas as unidades de cuidados intensivos o utilizam actualmente, em particular as que recebem doentes no pós-operatório de cirurgias cardíacas. Tambem um número crescente de salas de hemodinâmica o têm adquirido, o que se justifica pelo crescente número de doentes que são submetidos a procedimentos diagnósticos e terapêuticos e que necessitam do seu uso profilático ou na sequência de complicações.
Têm sido amplamente investigados os seus mecanismos de acção e os seus efeitos em sub-grupos de doentes. Os autores fazem uma revisão da literatura focando os princípios fisiológicos e os efeitos hemodinâmicos do balão, a técnica de inserção, a programação, de modo a obter o máximo benefício, bem como as alterações resultantes do seu mau funcionamento.
Terminam descrevendo as indicações, contra-indicações e complicações na utilização do balão intra-aórtico.
PALAVRAS CHAVE: Balão de contrapulsão intraaórtico; suporte hemodinâmico.

Traumatismos Crâneo-encefálicos: Análise casuística

M. Pontes, R. Lima, V. Alves, L. Carreira, E. Gonçalves, J. Moreira, O. Cunha

Sumário: Os autores fazem a análise dos processos clínicos de dezanove crianças internadas, durante 1994, no Serviço de Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos do Hospital Geral de Santo António, por traumatismo crânio-encefálico (TCE).
Em 58% dos casos o tipo de acidente foi o atropelamento. Não houve lesões traumáticas associadas em 58% dos casos. Analisam-se as principais medidas terapêuticas adoptadas e as complicações e sequelas ocorridas, e faz-se uma correlação da Escala de Coma de Glasgow à entrada com os achados da 1º Tomografia Axial Computorizada Cerebral (TAC) e o tipo de sequelas, assim como das alterações da 1ª TAC com o tipo de sequelas.
Os principais dados prognósticos são obtidos na TAC inicial e no valor da Escala de Coma de Glasgow à entrada.
PALAVRAS CHAVE: Traumatismo Crânio-Encefálico/Criança.

Obstrução brônquica total por lesão herpética tumoral em doente politraumatizado

Pedro José Pimenta Vasconcelos, Vitor Ribeiro Lopes, Nelson Diogo, António Raimundo Santos Rezende

Sumário:
Os autores apresentam um caso de atelectasia pulmonar secundária a obstrução do brônquio principal esquerdo por lesão tumoral única devida a infecção herpética, em doente politraumatizado previamente saudável.

Tétano grave em toxicodependente

V. Lopes, P. Vasconcelos, A. Rezende

Sumário:
Descrevem-se 4 casos clínicos de Tétano grave em toxicodependentes, com importantes manifestações de disfunção do Sistema nervoso Autónomo, necessitando de internamento prolongado em Unidades de Cuidados Intensivos. Abordam-se as principais medidas trapêuticas utilizadas.

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Data de criação: 8 de Julho de 1997
Última actualização: 15 de Junho de 2000

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