GUIA PARA O TRANSPORTE DE DOENTES
CRÍTICOS
Princípios Gerais
- DECISÃO
- PLANEAMENTO
- EFECTIVAÇÃO
TRANSPORTE INTRA-HOSPITALAR DE DOENTES CRÍTICOS
Introdução
- COORDENAÇÃO PRÉ-TRANSPORTE
- PROFISSIONAIS QUE ACOMPANHAM O
DOENTE
- EQUIPAMENTO QUE ACOMPANHA O
DOENTE
- MONITORIZAÇÃO DURANTE O
TRANSPORTE
TRANSPORTE INTER - HOSPITALAR DE DOENTES CRÍTICOS
Introdução
- COORDENAÇÃO PRÉ-TRANSPORTE
- PROFISSIONAIS QUE ACOMPANHAM O
DOENTE
- EQUIPAMENTO
- MONITORIZAÇÃO
- DECISÃO PARA TRANSPORTE
INTER-HOSPITALAR DE DOENTES CRÍTICOS
ANEXO 1 - FÁRMACOS À
DISPOSIÇÃO DE UMA EQUIPA DE TRANSPORTE NO HOSPITAL DE
ORIGEM
ANEXO 2: ALGORÍTMO DE DECISÃO
PARA TRANSPORTE DE DOENTES CRÍTICOS INTER-HOSPITALAR
ANEXO 3: FORMULÁRIO DE
TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR DE DOENTES CRÍTICOS
NOTA INTRODUTÓRIA
O documento-guia que agora se apresenta constitui uma
compilação de normas divulgadas, e de conhecimentos
práticos propriedade dos membros do grupo de trabalho,
todos possuidores de experiência no transporte de
doentes em estado crítico. As regras do bom desempenho
da medicina e da enfermagem foram considerados
princípios essenciais para que os riscos inerentes à
instabilidade que caracteriza uma acção de transporte
sejam diminuídos ou anulados. Foram também considerados
os instrumentos legais actualmente em vigor sobre a
matéria (Portaria 293/93 - Regulamento de Transporte de
Doentes, Decreto-Lei 38/92 - Enquadramento Legal do
Transporte de Doentes, Lei 48/90 - Lei de Bases da
Saúde, Lei 12/97 que regula a actividade de transporte
de doentes por corpos de bombeiros e Cruz Vermelha
Portuguesa).
O grupo de relatores resolveu limitar o âmbito da
actuação do documento ao transporte secundário de
doentes em estado crítico.
Tendo em conta o trabalho desenvolvido no transporte de
recém-nascidos, admite-se como desejável a extensão do
conceito de recém-nascido (28 dias de vida) para uma
maior idade / peso, tendo como limite o espaço
disponível com segurança na incubadora / ambulância.
Considerou-se que cada instituição deve preparar e
manter operacionais equipas de transporte,
particularmente para as deslocações entre hospitais.
O conjunto normativo será reavaliado periodicamente de
acordo com os princípios do processo de melhoria de
qualidade continuada.
PRINCÍPIOS GERAIS
Define-se como doente crítico aquele que, por
disfunção ou falência profunda de um mais órgãos ou
sistemas, a sua sobrevivência depende de meios
avançados de monitorização e terapêutica.
O transporte destes doentes envolve alguns riscos mas
justifica-se, entre hospitais e entre serviços de um
mesmo hospital, pela necessidade de facultar um nível
assistencial superior, ou para realização de exames
complementares de diagnóstico e/ou terapêutica não
efectuáveis no serviço ou instituição onde o doente
se encontra internado.
O transporte de doentes críticos envolve as seguintes
fases :
- Decisão
- Planeamento
- Efectivação
A decisão de transportar um doente crítico é um
acto médico. Como tal, a responsabilidade é do médico
que assiste o doente mas, também, do chefe de equipa e
do director de serviço.
O planeamento da acção é feito pela equipa médica
e de enfermagem do serviço ou unidade referente, e
tomará em consideração os seguintes problemas :
- Escolha e contacto com o serviço receptor,
avaliando a distância a percorrer e o respectivo
tempo de demora;
- Escolha do meio de transporte;
- Selecção dos meios adequados de
monitorização;
- Previsão individualizada das complicações
possíveis;
- Selecção orientada de meios de terapêutica
gerais e específicos;
- Escolha da equipa de transporte (de acordo com as
disponibilidades da unidade referente e as
características do doente a transportar).
A efectivação do transporte fica a cargo da equipa
de transporte seleccionada, cuja responsabilidade
técnica e legal só cessa no momento da entrega do
doente ao corpo médico do serviço destinatário, ou no
regresso ao serviço de origem (no caso da deslocação
ser justificada pela realização de exames
complementares ou actos terapêuticos). Idênticas
responsabilidades cabem aos médicos responsáveis pela
decisão da deslocação.
A qualidade da vigilância e da intervenção
terapêutica durante o transporte não devem ser
inferiores às verificadas no serviço de origem.
Objectivo: Elaboração de normas práticas para o
transporte intra e inter-hospitalar de doentes em estado
crítico.
Fontes: Revisão de bases de dados bibliográficos
filtradas com palavras chave (Medline) , exposição
sistematizada de experiências próprias.
Grupo de trabalho: médicos e enfermeiros sócios da
Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos -SPCI-, com
prática de transporte de doentes em estado crítico.
Palavras chave: Transporte intra-hospitalar, transporte
inter-hospitalar, estado crítico, transporte aéreo,
politraumatizado, ambulância, responsabilidade
médico-legal, protocolos.
INTRODUÇÃO
Os doentes críticos admitidos no Serviço de
Urgência, depois de reanimados, são frequentemente
transportados de salas de emergência para unidades de
cuidados intensivos (UCI) ou blocos operatórios e,
destes para salas de recobro ou para UCIs.
Os doentes com estas características ainda necessitam,
por vezes, de ser transportados dentro do hospital, a fim
de serem submetidos a procedimentos terapêuticos e
diagnósticos.
O desenvolvimento tecnológico torna cada vez mais
necessária a deslocação de doentes das unidades para
outras áreas do hospital, onde as possibilidades de
actuação de emergência são muitas vezes inadequadas,
nomeadamente os serviços de imagiologia (tomografia
axial computorizada, ressonância magnética, angiografia
invasiva e não invasiva) e de medicina nuclear.
O período de transporte caracteriza-se por grande
instabilidade para o doente, podendo agravar o seu estado
clínico e originar complicações que devem ser
previstas.
Se se presumir que um exame de diagnóstico não vai
alterar a terapêutica ou o prognóstico do doente, e se
o transporte constitui um risco sério, então a sua
realização deve ser reavaliada. Este documento-guia
apresenta os requisitos mínimos que devem ser
disponibilizados durante o transporte de qualquer doente
crítico.
O transporte intra-hospitalar do doente crítico deve
obedecer às seguintes regras :
- Coordenação
pré-transporte
- Confirmação prévia de que a área para
onde o doente vai ser transportado está
pronta para o receber e iniciar
imediatamente o exame ou terapêutica
programada;
- O médico responsável deverá acompanhar
o doente ou, quando a responsabilidade do
transporte do doente é assumida por uma
equipa diferente, deve estabelecer-se
comunicação médico a médico e/ou
enfermeiro a enfermeiro, no que diz
respeito à situação clínica do doente
e terapêuticas em curso, antes e após o
transporte;
- Determinação do risco de
"inoculação" ou
"contaminação" por sangue,
secreções, excreções ou lesões
cutâneas
- Registo no processo c línico das
indicações para o transporte e da
evolução do estado do doente durante o
mesmo.
- Profissionais
que acompanham o doente
O doente crítico quando transportado deve ser
acompanhado no mínimo por dois
profissionais ( médicos / enfermeiros
)
- Um dos acompanhantes deve ser o
enfermeiro responsável pelo doente, com
experiência em reanimação ou
especialmente treinado em transporte de
doentes críticos;
- De acordo com a gravidade e instabilidade
do doente, o segundo elemento pode ser um
enfermeiro de formação geral ou um
médico;
- Um médico deve acompanhar os doentes que
apresen tem instabilidade fisiológica e
que possam necessitar de intervenção
emergente ou urgente
- Equipamento que
acompanha o doente
- Monitor de transporte;
- Leitor da pressão arterial;
- Material de intubação endotraqueal com
sondas de calibres adequados ao doente, e
ressuscitador manual (com válvula de
pressão positiva);
- Fonte de Oxigénio de capacidade
previsível para todo o tempo de
transporte, com reserva adicional para 30
minutos;
- Ventilador portátil, capaz de oferecer
volume/minuto, pressão, FiO2 de 100% e
PEEP que o doente esteja a fazer
previamente, com alarme de desconexão e
alarme de altas pressões na via aérea;
durante o transporte pediátrico a FiO2
deve ser rigorosamente controlada;
- Fármacos de ressuscitação,
nomeadamente adrenalina, lidocaína,
atropina, e bicarbonato de sódio;
- Fluidos endovenosos e fármacos
contínuos regulados por seringas ou
bombas infusoras com bateria de modo a
não interromper nenhuma das medicações
já em curso;
- Medicações adicionai s que possam ser
administradas intermitentemente de acordo
com prescrição médica.
Nota : Em qualquer ponto do trajecto deve
estar disponível um aspirador e carro de
emergência (com desfibrilhador) num tempo médio
de quatro minutos.
- Monitorização
durante o transporte
Nota : dividiram-se os níveis de monitorização
segundo a seguinte classificação -
nível 1 - obrigatório;
nível 2 - fortemente recomendado;
nível 3 - ideal.
- Monitorização contínua com registo
periódico :
- ECG (nível 1);
- Oximetria de pulso (nível 1);
- Monitorização intermitente e registo :
- Pressão arterial (nível 1);
- Frequência cardíaca (nível 1);
- Frequência respiratória (nível
1 em pediatria e nível 2 nos
outros doentes).
- Em doentes seleccionados ( pelo seu
estado clínico )
- Capnografia (nível 2);
- Medição contínua da pressão
arterial (nível 3);
- Medição da pressão da artéria
pulmonar (nível 3);
- Medição da pressão
intracraniana (nível 3);
- Medição intermitente da PVC
(nível 3);
- Nos doentes intubados e ve
ntilados mecanicamente deve ser
monitorizada a pressão da via
aérea (nível 1, nestes casos).
INTRODUÇÃO
- O principal motivo para transferência de um
doente crítico entre hospitais é a
inexistência de recursos (humanos e técnicos)
no hospital de origem para tratar ou dar
continuidade ao tratamento iniciado, não sendo
de excluir a possibilidade de transporte
inter-hospitalar para a realização de exames
complementares, não disponíveis no hospital de
internamento.
- A decisão de transferência de um doente com
estas características pressupõe que houve
avaliação de benefícios e riscos inerentes ao
transporte.
- Risco de transporte envolve duas componentes : o
risco clínico (situação clínica do doente,
efeitos das vibrações, a da
aceleração-desaceleração e mudanças de
temperatura - factores que afectam a fisiologia
cardio-respiratória e a fiabilidade da
monitorização) e o risco de estrada
(vibração, aceleração-desaceleração, risco
de colisão, todos eles elevando-se
significativamente com a velocidade).
- No sentido de minimizar os riscos do transporte,
o doente deve ser previamente estabilizado no
hospital de origem, devendo aí efectuar-se as
intervenções diagnósticas e terapêuticas que
se prevejam necessárias durante o transporte
(acessos venosos, drenagens torácicas,
intubações , e outras).
Antes de se efectuar um transporte, o doente ou o seu
representante legal deve ser informado do facto, sendo
explicada a situação, a necessidade de transporte, o
nome do hospital de destino e, quando praticável,
obtendo o seu consentimento expresso.
O transporte deve ser considerado como uma extensão do
hospital que envia o doente, cabendo ao serviço
referente a responsabilidade técnica e legal durante as
duas primeiras fases (Decisão e Planeamento). Na etapa
da Efectivação, a responsabilidade caberá à equipa
que assegura o transporte.
- Coordenação
pré-transporte
- Uma vez tomada a decisão, a
transferência deve ser efectuada o mais
rapidamente possível;
- os exames complementares de diagnóstico
devem acompanhar o doente; médico
responsável pela transferência deve
contactar a unidade ou serviço para onde
pretende enviar o doente e confirmar se
este pode disponibilizar os meios
necessários ao tratamento e se tem
vagas. O serviço que vai receber o
doente deve ser informado detalhadamente
da situação clínica e das
intervenções terapêuticas
previsíveis;
- contacto inicial realiza-se antes do
transporte (e nunca durante ou depois)
deven do ser personalizado; no processo
de transferência ficarão registados os
nomes e contactos dos intervenientes;
- Determinação do risco de
"inoculação" ou "con
taminação" por sangue,
secreções, excreções ou lesões
cutâneas
- Os registos clínicos e de enfermagem
(notas de transferência ou fotocópias)
e os exames complementares de
diagnóstico devem acompanhar o doente.
Deve existir um processo de registo do
transporte uniforme entre os vários
hospitais (Anexo 3).
A escolha do meio de transporte (ambulância ou
helicóptero) deve ter em conta :
- A situação clínica do doente (
transporte "emergente",
"urgente" ou
"electivo");
- A distância/duração do transporte;
- As intervenções médicas necessárias
durante o transporte;
- A disponibilidade de pessoal e recursos;
- As informações meteorológicas.
Nota : Se o transporte se efectuar por via
aérea é importante o conhecimento das
possíveis alterações fisiológicas com a
altitude, e suas influências na clínica.
- Profissionais
que acompanham o doente
- A equipa que acompanha o doente crítico
deve ser constituida pela trip ulação
habitual da ambulância e, pelo menos,
mais dois elementos (um médico e um
enfermeiro), ambos com experiência em
reanimação, manuseamento e manutenção
do equipamento.
- Equipamento
- Equipamento que acompanha o doente
(equipamento mínimo)
- Ressuscitador manual e máscaras
adequados ao doente, válvula de
PEEP;
- Tubos de laríngeos,
laringoscópio, tubos traqueais e
fios guia;
- Fonte de oxigénio com capacidade
adequada:
O2 necessário = [( 20 + Vmin ) x
FiO2 x tempo de transporte*] +
50%
* em minutos;
- Aspirador eléctrico (com
baterias) e sondas;
- Drenos torácicos, conjunto de
introdução e acessórios;
- Monitor de transporte e
desfibrilhador;
- leitor automático de TA e
braçadeiras convenientes;
- Material para punção e
manutenção de perfusões
endovenosas e respectivas
seringas ou bombas volumétricas
com bateria (agulhas, catéteres
venosos, seringas, sistemas de
soros, etc.);
- Soros (cristalóides e colóides)
com mangas para administração
sobre pressão;
- Fármacos para suporte avançado
de vida, e outros que se julguem
necessários ou específicos
(terapêuticas continuadas, ou
intermitentes pré-programadas);
- Ventilador de transporte com
volume/minuto, pressão, PEEP, e
FiO2 reguláveis de forma
fiável, capacidade de
monitorização da pressão das
vias aéreas, alarme de
desconexão e alarme de alta
pressão.
Durante o transporte pediátrico
a FiO2 e o volume ou pressão
efectuados devem ser controlados
rigorosamente;
- Equipamento de comunicações
(permitindo contactos entre os
hospitais de origem e destino).
- Fármacos que devem estar disponíveis
para o transporte:
- Monitorização
Nota : Dividiram-se os níveis de monitorização
segundo a seguinte classificação:
nível 1 - obrigatório;
nível 2 - fortemente recomendado;
nível 3 - ideal.
- Monitorização contínua com registo
periódico:
- ECG ( nível 1);
- Oximetria de pulso ( nível 1).
- Monitorização intermitente e registo :
- Pressão arterial não invasiva (
nível 1);
- Frequência cardíaca ( nível
1);
- Frequência respiratória (
nível 1 em pediatria e nível 2
nos outros doentes ).
- Em doentes seleccionados (pelo seu estado
clínico)
- Capnografia ( nível 2);
- Medição contínua da pressão
arterial (nível 3);
- Medição da pressão da artéria
pulmonar (nível 3);
- Medição da pressão
intracraniana (nível 3);
- Medição intermitente da PVC
(nível 3);
- Nos doentes intubados e ven
tilados mecanicamente, deve ser
monitorizada a pressão da via
aérea (nível 1, nestes casos ).
- Decisão para
transporte inter-hospitalar de doentes críticos
Proceder conforme algorítmo (anexo 2)
- Adenosina;
- Adrenalina;
- Alfentanil;
- Aminofilina;
- Amiodarona;
- Atropina;
- Bicarbonat o de sódio;
- Captopril;
- Cefotaxima;
- Dexametasona;
- Diazepam;
- Digoxina;
- Dinitrato de Isossorbido;
- Dobutamina;
- Dopamina;
- Etomidato;
- Fenobarbital;
- Flumazenil;
- Furosemida;
- Gluconato de Cálcio;
- Glucose Hipertónica;
- Heparina;
- Hidralazina;
- Hidrato de Cloral;
- Insulina Actrapid;
- Isoprenalina;
- Labetalol;
- Lidocaína a 2% ev (+gel e spray);
- Manitol;
- Metilprednisolona;
- Midazolam;
- Morfina;
- Naloxona;
- Nifedipina;
- Nitroglicerina s.l.;
- Noradrenalina;
- Paracetamol;
- Propofol;
- Salbutamol ;
- Succinilcolina;
- Sulfato de Magnésio;
- Tiopental sódico;
- Vecurónio;
- Verapamil.
- Enfo António José Sousa Matos
- Dra. Cristina Maria Simões Veríssimo
- Dr. João Estrada
- Dr. João Paulo Almeida e Sousa
- Dr. Humberto Silva Machado
- Dr. João Vitor de Gouveia Miranda Sá
- Dr. Luís Artur Fonseca Reis
- Dr. Ramiro Carvalho Figueira
- Dra. Rita Perez Fernandes da Silva

Data de criação: 17
de Novembro de 1997
Última
actualização: 31 de Março de
2001 |

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Copyright©1997, 2001
Sociedade Portuguesa de Cuidados
Intensivos |
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